Nós - Kiko, como a banda começou? Kiko - A banda começou como uma banda de amigos. A gente tocava sem muita pretensão. Nossos shows eram geralmente pelas Cidades Satélites de Brasília, que são periferia mesmo, uma galera mais pobre. A banda começou mesmo em 1996, mas como eu não estava desde o começo, acho que o Alexandre pode explicar melhor isso pra vocês. Nós - Pois é Alexandre, dê uma palhinha pra gente de como foi esse início. Alexandre - Como o Kiko já disse, começamos pelas cidades satélites de Brasília com pequenos shows e sem a pretensão de ser uma banda de projeção nacional. Tudo começou mesmo e começamos a pensar diferente com a entrada do Kiko, e da Iza (Izabella - Backing Vocal). A partir disso o grupo se estruturou e começou a levar a coisa mais a sério. Nós - Qual a principal influência musical de vocês? Alexandre - Sem dúvida o Reggae de Raiz, "Roots", por isso o Natiruts. The Wailers, Peter Tosh e o com certeza o maior de todos, Bob Marley. O que a gente sempre reafirma é a questão do "roots". Isso que é importante na concepção musical da banda. Nós - A partir do momento que vocês começaram a gravar, passou a existir alguma influência de gravadora, ou o que vocês querem, vocês fazem? Alexandre - É, hoje em dia a maioria das bandas fazem o que querem, pelo menos as bandas que estão dentro do nosso estilo, tipo o Rappa, o Charlie Brown, e a galera faz o que gosta. E a mudança de disco pra disco é uma coisa natural. Tem que rolar. Nós - Mas não rola pressão? Alexandre - Olha, rola pressão bem pequena, até indireta que os caras fazem, pra você de repente fazer uma música radiofônica, mas a maioria das bandas nem ouve isso, e fazem o som que gostam e o lance de ser radiofônica é conseqüência do trabalho. Vem primeiro a preocupação em trazer uma mensagem, em trazer uma música legal, uma melodia legal, pra depois saber se ela vai virar radiofônica ou não, que é conseqüência. Nós - O que você acha de bandas como o Cidade Negra, o Skank, que começaram com um som no estilo mais Reggae mesmo. O Skank nem tanto, mas principalmente o Cidade, e depois viraram uma coisa bem comercial, como é agora, não tenha quase nada de Reggae. Alexandre - É eu acho que existe até uma certa confusão, por que o Reggae é um estilo que tem vários sub-estilos. A gente costuma se basear mais no "roots" que é o ídolo maior, de todo mundo que gosta de Reggae, que vive o Reggae, que é o Bob Marley. Então a gente tem que ter o "roots" como parâmetro, mas tem outros vários estilos também, que são bons, que são legais, mas não tem o mesmo embasamento político e social do "roots" mas são feitos pra divertir, que tem uma batida legal, que é o caso do Skank, que aproveitou o lance da variação do Reggae, os caras das da Jamaica usavam a música eletrônica a tempo já. Nos anos 80 já rola. Tem o Cidade que é um lance bem carioca, aquela coisa de Jorge Ben. O Rappa também inseriu. Se bem que o Rappa nem é mais um coisa de Reggae. Eles começaram como Reggae, agora eles já estão indefinidos, estilo próprio mesmo. Nós - No cenário Catarinense, você conhece alguma coisa? Tem o Dazaranha com influências de reggae, mas tirando isso, você conhece mais alguma coisa por aqui? Alexandre - Eu conheço o Dazaranha, por que nós já tocamos com eles. Agora outra banda que eu conheço é a Neil Big. Nós tivemos a oportunidade de conhecer os caras lá em Floripa, quando tocamos por lá. Basicamente são só essas duas que a nós conhecemos, que eu me lembre agora. Por que bandas tem várias, principalmente perto do Litoral. Tem muita banda de Reggae e de Rock, mas eu particularmente só conheço essas duas. Nós - Vocês já tinham vindo alguma vez aqui pra Joinville? O que vocês já conheciam de Santa Catarina? Alexandre - A gente conhece razoável. O estado é muito grande, tem muito lugar legal pra tocar. A gente já tocou em Araranguá, Tubarão, Criciúma, Lages naquela festa do Pinhão , Floripa e hoje estamos aqui em Joinville, pela primeira vez. Muito legal aqui. Nós - Alexandre, numa conversa aqui com o Kiko, antes da entrevista, ficamos sabendo que você jogava futebol, batia uma bolinha na época de colégio, é isso? Alexandre - É. (risos) Na verdade eu treinava forte, pra disputar o campeonato de Brasília. E era o seguinte, Brasília tem o plano piloto e as cidades satélites, que é a periferia. O nosso time era a galera do Plano Piloto, mas que ia pras satélites e jogava contra o Gama. Inclusive eu fiz dupla de ataque com o Amoroso durante 3 anos. (risos) Maior orgulho. Nós - Já pensou, Alexandre do Natiruts na seleção? Alexandre - (risos) Tipo aquele pai que fala: "Pô filhão, maior orgulho pra mim, joguei com o Amoroso. Joguei pra caramba antigamente". Poxa, é o maior orgulho pra mim, a maior satisfação, o Amoroso ter estourado. E já era até uma coisa óbvia pra gente que acompanhava o cara desde o começo. Ele realmente foi acima da média. Desde aquela época ele era sempre artilheiro, fazia muito gol mesmo. Ele teve um problema no joelho bem quando ele ia estourar no Guarani. Meio que fez ele dar uma parada e na Itália ele tá arrebentando, apesar de na seleção ele não ter tido tanta sorte. Mas acredito que até a Copa, ele ainda vai ter chance pra mostrar o trabalho. Nós - E o atacante Alexandre não vai dar uma ajudinha pra seleção? Alexandre - (risos) Ô, Deus me livre, só se for a seleção do Natiruts. (risos) Nós - Está quase na hora, qual a expectativa pro show? Alexandre - A expectativa é a melhor possível. Vamos mostrar o Reggae pra galera. Tocar aqui no sul é muito bom. O nosso país á abençoado. É sempre bom a gente estar divulgando a cultura e saber que tem gente interessada em ouvir, curtir, dançar enfim... Nós - Alexandre, obrigado pela entrevista, e como a gente tinha falado, uma conversinha rápida, só pra galera saber um pouquinho mais do que é o Natiruts, e ótimo show pra vocês. Alexandre - Pô, legal, valeu aí a força, valeu o espaço também, que sempre é muito bom. Nós - Obrigado pela entrevista e agora curte aí com a galera. Alexandre - Beleza, valeu brother." Aos 29 anos, bisneta de índia e com uma forma física escultural, Izabella é a única mulher do Natiruts. Atualmente ela jura que não está namorando; diz que só tem um casinho, coisa simples mesmo (será?????). E nós, claro, acreditamos, até mesmo para não sentir muita inveja do rapaz. Sua história na música começou num show da Tribo de Jah, em Brasília. O Reggae sempre foi um som que agradou muito e, a partir daí, foi juntar o gosto com a vontade de cantar… Tantofaz: Como você começou na música? Izabella: Foi através do Natiruts, que era Nativus na época. Sempre gostei de cantar mas nunca cantei profissionalmente. Eu já conhecia o Kico, o Bruno o Luis (os integrantes da banda) que moravam perto de casa. Sempre fui "reggeira". Aí eu conheci o Juninho, o baterista, num show da Tribo de Jah e ele sabia que eu cantava. Daí ele me chamou pra um ensaio da banda, eles tocavam muito Bob Marley e algumas músicas que entraram para o primeiro disco. Eu cantei e aí rolou, de junho de 96 quando surgiu a banda, e estou até hoje. Tantofaz: Você toca algum instrumento? Izabella: Tô tocando bateria e guitarra, aprendendo, né? (risos). Ah, e percussão também. Tantofaz: O que você anda escutando? Izabella: Eu sou bem eclética (risos). Eu escuto MPB, LAURYN HILL, RUSH, BOB MARLEY, lógico, GLADIATORS, O RAPPA, que tô adorando ouvir. Tantofaz: É verdade a história da loteria, que seu pai ganhou na Sena e com uma parte desse dinheiro, que você recebeu, investiu na banda? Isabella: Isso é lenda total, cara. O Natiruts sempre correu atrás com seu próprio esforço, ninguém injetou dinheiro. Muito pelo contrário, no primeiro disco a gente chegou até a soltar uns cheques sem fundo para pagar a primeira parcela da tiragem, independente. E no primeiro show de lançamento, deu um público de 4 mil pessoas em Brasília, comprando ingresso a dez reais com o disco. Então, com uma semana de lançamento do disco, a gente tinha vendido cinco mil cópias, o que deu para cobrir os cheques depois (risos). Inclusive nosso primeiro clipe foi tirado desse show. Foi sempre o público que bancou nosso trabalho. A gente só foi pro Rio gravar, porque fizemos um show em Brasília, no final de 96, que deu 4 mil pessoas. E a gente só tinha uma demo! Esse show levantou a grana pra gente pagar o aluguel na Barra da Tijuca, pra poder gravar, quer dizer, era a grana que pintava, nunca teve ajuda de papai nem de ninguém. Tantofaz: Vocês já se acostumaram com o novo nome? Izabella: Já. Às vezes a gente até fala Nativus, mas é por falha de memória mesmo. Esse nome já tinha sido cogitado antes até da enquete que fizeram com o público, que só confirmou a idéia que partiu do Bruno (percussionista). O nome Nati para sugerir nativos de Brasília e Ruts por causa de raízes e do som. Tantofaz: Você tem descendência indígena? Izabella: Tenho. A minha bisavó era índia lá da região de Aracajú, mas eu não cheguei a conhecê-la. Tantofaz: E as idéias da sua grife, como estão? Izabella: Pois é. Eu tinha essa idéia há muito tempo, porque desde o princípio eu fazia as minhas roupas para os shows. Sempre gostei muito de couro e toda vez me perguntavam de onde eu tirava minhas roupas e aí eu falava que tinha uma costureira eficiente, que sempre colocou no papel exatamente aquilo que eu queria, daí chegou a Chris da Austrália (sua assessora) e a gente resolveu oficializar essa parada (risos). A marca chama Klanga e não tem um estilo bem definido bem definido; é uma mistura de tendências da gente mesmo, anos 70, o lance revolucionário, a natureza e é tudo de couro. Tantofaz: E nessas viagens todas você arruma tempo pra namorar? Você está namorando? Izabella: Cara, não tem tempo (gargalhadas) Tantofaz: Mas atualmente, você não está namorando? Izabella: Não. Tenho um casinho aí, mas não é nada sério… Tantofaz: É um fã??? Izabella: Não. Ele gosta do Natirtus mas não é um fã. Não foi através da banda que ele chegou até mim. Foi de outra forma que a gente se conheceu. Tantofaz: Em show rola muito assédio dos fãs? Izabella: Rola. Tantofaz: Alguns desses fãs já chegou a te chamar atenção? Já rolou alguma num bastidor depois de um show? Izabella: Não (risos). Tenho até vontade (risos). Mas eu gosto de separar essa coisa. De repente no dia do show eu acho que não vou atingir a expectativa do cara… (risos). Tantofaz: Já recebeu convite para posar nua? Izabella: Ainda não. Tantofaz: Mas você já tem uma opinião formada a respeito? Por que os convites vão aparecer! Izabella: Ainda não tenho idéia formada. Se fosse hoje, eu iria dizer não, mas amanhã eu não sei…(risos) Tantofaz: Qual foi o lugar mais estranho que você já transou? Ou o lugar que mais te marcou? Izabella: (risos)…pô, teve vários…(risos). Acho que foi num banheiro de uma festa…(gargalhadas) Tantofaz: No Banheiro de uma festa? Como foi isso? Izabella: Ah! (risos) Foi estranho, adrenalizante, né. Ele era meu namorado e toda a vez que pintava um clima, tínhamos que dar um jeito…(risos) Tantofaz: Você malha? Dá tempo pra cuidar desse corpo? Izabella: Antes de entrar pro Natiruts eu sempre fazia exercícios. Jogava pólo aquático, futevôlei e vôlei. Nunca parava. Todo dia eu treinava, fazia alguma coisa. Agora tá difícil. Por exemplo, há duas semanas que eu não malho, isso me deixa estressada… sou viciada em malhação. Ás vezes faço abdominal na cama, fico inventando, mas não estou malhando quanto gostaria.
